segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Itinerário


Adormecido em minha comiseração
Envolto pelo meu desencanto
Vejo as almas ainda perdidas,
sozinhas, esvaindo-se
Desperto de minha agonia,
Venho despida de altivez e falsidade
As horas se vão e os dias se passam,
atravessam a realidade e caem.
Quimeras vivem.
Percorrem os caminhos denso de dor
Sustentam-se de aparências
Olvidam a essência do orbe
Regressam o cálice amargo da dor.
É como esperar a nudez
de um amanhecer cinzento
na esfinge de emoção sobre meu sepulcro.
Não basta abrir o coração
não é bastante não ver!

Para contemplar os jardins frios e tristes.
É preciso também não ter amor nenhum.
Sem amor não há sentimentos: há ideias apenas.
Há só uma porta fechada, e todo o mundo lá fora;
e um sonho do que se poderia ver se a porta se abrisse,
mas que nunca é o que se espera quando se abre a porta.

Sinto-me morrer...
Somos produto de um erro;
Há tanta vida, dor e mentiras lá fora.
Transes da morte por fim nos esperam
Já não sabemos se a contraímos ou se ela a nós.

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